A palavra é uma larva que se infiltra na terra. A terra nutre o casulo, e dá asas à palavra.

Sinfonia de sins e nãos e nãnãninãnãos nananenês robôs perfaz a liquefeita atmosfera oblíqua que incide solarmente sobre os ouvidos parcos. O pulo do jarro que se estraçalha na cama de cera ainda faz com que sejam poucos os retalhos da colcha outra vez desfraldada como bandeira.

O soldado morre de saudades da velha guarda.

A gargalhada do palhaço não combina com a face obsoleta da fada alada. Mais vale um camaleão altaneiro e tarado.

No outro do recinto extremo ficam os juízes.

No outro extremo do recinto

No recinto do outro

Ressinto eu

Vejo uma aranha vermelha, pequena

e uma abelha, de tamanho regular, presa na teia

 

Logo ali vejo a repetição da cena:

mais uma aranha, mais uma abelha.

Engraçado que os ferrões e as asas

não sejam suficientes

pra fugir das teias, do veneno

e da deglutição subseqüente.

Sim, o mundo dos insetos se revela aos humanos só de vez em quando

pasto
antes eu sofria mais crises de assimilação. ou antes a assimilação da alteridade me consumia mais ser. ou: antes ruminava mais antes de digerir o pasto da paisagem alheia.

Sumo do mapa

Extraio o sumo da manga

Escondo sob o pano a alça do pote

Melo a boca na trufa

cinza sinto que é o céu hoje

Inverto, invisto

Me divirto

O que vem logo aqui embaixo (abaixo me soa pedante)

é fruto amargo e já pós-maduro, pútrefo.

Publicado apenas pela vaidade originada na releitura. Esclareço: Nunca o presente foi de fato tão presente em sentido polivalente.

A vida nunca esteve tão perto de ser plena.

Minha filha nasceu, fez um mês, e é morena. 

As dores emocionais taquicárdicas que já foram se parecem muito com a aceleração que sinto agora. O presente também serve para se ter saudades de um presente melhor, ou mais colorido, que seja. O abandono, o desprendimento, a iluminação, a anulação de tormentos, todos os objetivos que se ensaia, ensaia e nunca se coloca em prática, as tormentas oceânicas que agitam as moléculas intra-celulares dos primatas evoluídos que somos.

O uso acertado de reticências parece exigir mais solidez que volatilidade, mais resistência que infinito. O engano está na casa do outro.

A janela que carrega para o céu não dá pé se estiver imersa na água. É engraçado que até os nove meses de idade todos tenhamos vivido sem respirar pelas narinas, imersos em águas nutritivas.

O furto da perspectiva pela história, deixando o gosto da coisa toda meio destemperado, encerra em si o crime que deixa sem nada o eixo cardíaco-solar.

 

Sim. Convém começar afirmando:

Sim.

 

O som transpira sem sauna.

O suor do som diz sim.

O calor do suor do som esfria aos poucos.

Os poucos calores fora do som do sim soam não, e se auto-consomem.

 

Sobram sims, sins, sinais de permissão compulsória, sinais de desnecessidade de alguém que autorize.

 

Enterro sem flores

da negação:

Sim, estamos sãos.

da mão na cabeça (condescendência)

ao dedo no ânus (invasão)

é só

uma escorregadela costas abaixo

Não sou urubu

Não ando nu

 

Também não lavo louça

todo o tempo

 

Minha cabeça é louca

Como não está separada

do corpo, sou eu

 

O que me pertence

O que quero

O que sinto

O que chuto

Os verbetes chulos que uso

O parafuso com folga

O miolo macio

 

O pão que como não é de ontem

 

A toalha da mesa não precisa ser trocada

porque a mesa é nua e limpa,

sempre

 

Minto às vezes

luta

letra

luva

cabe como

como porta

porta-luvas

e abre

entro

enfio

o corpo

o rosto

o resto

alma não sei se

espírito sei não

espiral

descendente

sem dentes

banguela, banguela

cheia de lacunas

buracos

escunas que não

linhas novas sem

músculos

testículos

vínculos

(duplos?)

 

o dedo

do inquisidor

estava em riste

estado inerte

estofo duro

estafe inútil (que não ajuda em nada, só intro-mete o bedelho onde nem hoje nem ontem foi chamado)

 

ilha

pláusea

plausívelha

idéia falha

farta de repetição

 

náusea ômito

âmago vô (tento omitir)

escolho um espelho

esparramo alho

por todos os lados

para repelir

o vampiro que há em mim

e não quer ver o próprio reflexo

finjo

         que          fujo

         do          infinito

         que          fica

         logo          ali

         na primeira metade

         da trilha arborizada e povoada de jogos de sombra-luz e formatos de folhas

         e folias

                            de são ninguém

                                                        e que vez por outra

                                                                                              tem quem lhes diga 

 

                                     amém

faz o que é

útil

            iça as velas

 

utiliza as velas

 

aproveita                    os ventos

quando se está muito cansado

e se toma café

a fé que se tem na maré alta

não compensa a falta

de descanso, de balanço suave

das cadeiras

das poeiras

das juntas

das entranhas

das teias

               familiares

               e de aranha
[ ver mensagens anteriores ]
Meu Perfil
BRASIL, Sul, FLORIANOPOLIS, CAMPECHE, Homem felipeobrer@gmail.com
Visitante número: